Propõe-se a discutir o sentido da vida sob uma ótica Bush-Vovó Mafaldiana, com muita gesticulação




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crê no quê? adventista do sétimo dia
besame mucho? nhana Tatiana - casado, bem casado sim sinhô
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sua por quem? Eduardo, born at 06/11/2002


Para recompor a integridade de seus neurônios após ler o que escrevi, consulte blogs e páginas decentes:

Ernestinho e suas mulatas besuntadas

Bereteando

Ao Mirante, Nelson!

Ipsis Literis

Milton Ribeiro

Pensar enlouquece. Pense nisso.

Pura Goiaba

Ah, é?

Adelaide Amorim

ÓrBiTa

Cavaleiro de Navarra

Rascunho

Mundanus

Teoria da Conspiração Amorosa

Eu tenho um Blog

Embrulho de Pão

O diário de um Geek

Lux no cadafalso

Byonico

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Prediletos

O caderno Lilás de Karim Blair

Idiossincrasia

Botter

Garotas que Dizem Ní

O Centenário

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Brima Shoegazer

Mundo Perfeito

Sub Rosa

Tudo vai Ser Diferente

Copy Paste

Chico e Pats Bobageiam

Cromossomos

Ócio e Ofício

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COMverSOS [e prosas]

Escrivaninha do Marco






























Segunda-feira, Novembro 08, 2004
Passa-se o ponto!

ATENÇÃO, INCRÉU! Passamos a atender neste endereço aqui.

Se você não for automaticamente redirecionado pra lá é porque justamente eu não fiz nada pra que isso acontecesse. E não reclama, que eu tô arrotando templeite novo e companhia seleta (yo soy verbeat!).
15:17

Ok, eu permito que você escreva alguma coisa


Sexta-feira, Novembro 05, 2004
Bushíadas

Eu, como aparentemente todas as pessoas do mundo, excetuando-se os americanos que votaram em Bush, fiquei consternado com sua eleição. É verdade que no Brasil Bush é pintado como um idiota e que essa imagem é falsa. Ele é um advogado formado por Yale e um administrador de empresas formado por Harvard com muito carisma, bom orador e político intuitivo. Mas é, sobretudo, o cara que inventou uma guerra, razão mais que suficiente, no meu entender, para defenestrá-lo da Casa Branca.

O curioso é que eu, como protestante que sou, se tivesse nascido nos EUA seria possivelmente um eleitor de Bush. Esse negócio da influência do meio é mesmo descomunal. Aqui de onde olho, e apesar de ter de escolher entre um outro evangélico, manifestamente devoto, e um cara sem maior identificação com esse aspecto religioso, sentiria ser meu dever de cristão votar contra o primeiro, um presidente que demonstra tão pouco apreço pela vida de milhares de pessoas e que cultiva uma retórica de medo para se manter no poder.

Sem mais, passo a transcrever trechos de um texto escrito pelo genial e sempre mordaz Michael Moore, autor de Farenheit 11/09, Tiros em Columbine, Stupid White Men e Cara, cadê o meu país?. Ele levou uns dois dias para recuperar a fala e o bom humor depois da eleição do Bush, de quem é crítico ferrenho, mas ele publicou em seu site, sobre um fundo preto, 17 razões pelas quais não deveríamos cortar os pulsos. Acompanhe algumas delas, traduzidas com meu péssimo inglês:

* É ilegal que George W. Bush concorra à presidência outra vez.

* A vitória de Bush é a mais apertada reeleição de um presidente desde Woodrow Wilson, em 1916.

* A única faixa etária em que a maioria votou em Kerry é a dos jovens adultos, (Kerry: 54%; Bush: 44%), provando mais uma vez que seus pais estão sempre erradas e você nunca deve dar ouvidos a eles.

* Michigan votou em Kerry! Como todo o Nordeste, o berço de nossa democracia. Como 6 dos 8 Estados dos Grandes Lagos. E toda Costa Oeste! Mais Hawai. Ok, é um começo. Tivemos a maior parte da água fresca, toda a Broadway, and Mt. St. Helens. Podemos desidratá-los ou fazê-los queimar na lava. E nada de shows musicais!

* 88% da base de Bush veio de eleitores brancos. Em 50 anos a America não vai mais ter maioria branca. Ei, 50 anos não é tanto tempo assim! Se você tem dez anos e está lendo isto, seus anos de ouro serão realmente dourados e você será muito bem tratado na terceira idade.

* Graças aos resultados das eleições, gays não podem se casar em 11 novos estados. Graças a Deus. Pense em todos os presentes de casamento que não precisamos comprar.

* Mais cinco negros foram eleitos para o Congresso, incluindo o retorno de Cynthia McKinney, da Georgia. É sempre bom ter negros lutando por nós e fazendo o trabalho que nossos candidatos não fazem.

* Agora Bush é um presidente tipo pato manco. Não terá nenhum momento mais prazeiroso do que está tendo esta semana. Agora é uma descendente. Talvez ele vá encarar os próximos 4 anos como uma sexta-feira permanente, gastando mais tempo no rancho ou em Kennebunkport. E por que ele não o faria? Ele já provou o que queria, vingando seu pai e chutando nossa bunda.

* * * * * * *

Mudando - pra melhor - de assunto

Amanhã a criatura que aparece no colo da biscoituda aí embaixo, mastigando uma azeitona, faz dois anos. Faz dois anos, portanto, que tenho que administrar minha desidratação por conta do quanto eu babo, que tenho que administrar meu ar de bobo e que tenho, sobretudo, de administar meu medo de que alguma coisa ruim aconteça comigo ou com ele. Faz dois anos que descobri que existe mais de uma forma de amar de verdade.


12:12

Ok, eu permito que você escreva alguma coisa


Quinta-feira, Novembro 04, 2004
O que devo comemorar primeiro?

As 32.000 visitas, a nova indicação ao Blogs of Notes ou meu novo templeite e endereço?

* * * * * * * * * *

Comecemos pelo novo templeite. Informo a url assim que a enxurrada de críticos de blogs passar por aqui.

* * * * * * * * * * *

Não é nada disso. Levantaram mil e uma teorias conspiratórias quanto a um certo parentesco entre o Bloggerman e eu, mas vocês não entendem nada. Raciocinem: eu ameaço que vou-me embora, ele fica apavorado com a perda de prestígio à vista, me faz esse agrado, eu finjo que tá tudo bem. Guardadas as devidas proporções, é como se o Zezé di Camargo ameaçasse mudar de gravadora, o Kaká ameaçasse mudar de time e o Delfim Neto ameaçasse mudar de partido.

* * * * * * * * *

Enfim, o que interessa. 32.000 visitas, novamente tributadas à bonomia e generosidade de Monsieur le Bloggerman. Ainda lembro quando eu era um imberbe aprendiz de pintor de paredes, nas encostas escarpadas da Irlanda, e eu escrevi num tronco de árvore com meu canivete suiço: "um dia eu terei um blogue com 32.000 visitas". Calculem minha emoção hoje.

Brindemos com biscoituda. O nome dela é Daniela Pestova. Tem muito mais predicados do que essa ponta de nariz deixa entrever, use o Google para conferir. Para a mulherada, ele, o símbolo máximo do charme e da virilidade palestinas: Muamar Kadafi!



17:03

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Quarta-feira, Novembro 03, 2004
Sul realidade

Tava aqui matutando uma coisa bem surreal pra postar, mas aí li isto aqui na Folha online e achei que era concorrência desleal:

Leão ataca taiwanês que tentou converter animal ao cristianismo
da Folha Online

Um homem foi atacado por um leão nesta quarta-feira no zoológico de Taipé [capital de Taiwan] ao tentar converter o animal ao cristianismo. Ele foi mordido no braço e na perna.

"Jesus vai salvá-lo!" gritava o homem de 46 anos a dois leões africanos que estavam deitados sob uma árvores, a alguns metros dele.

"Venha me morder!", disse ele, com as duas mãos para o alto. As redes de TV locais mostraram todo o episódio.

Um dos leões mordeu o homem na perna direita antes que funcionários do zoológico conseguissem tirá-lo do local e aplicar tranqüilizantes nos animais.

Os jornais locais disseram que os leões foram alimentados no começo do dia e, se não fosse por isso, o homem poderia ter sido ferido mais seriamente, ou até mesmo morrer por conta do ataque dos animais.

* * * * * *

Achei numa loja de CD de bairro o Reveal, do R.E.M., por R$ 6,90, o que me pareceu um bom argumento para adquiri-lo. Confirmei minha opinião de que, junto com os xaropes do Oasis e os caras do Red Hot Chillipeppers, a cia de Michael Stipe está entre os melhores fazedores de música do rock atual. Reveal tem ótimas faixas além da muito tocada Imitation of Life, todas com uma sonoridade contemporânea, boas melodias e arranjos longe do lugar-comum. Destaque pra I've been high, All the way to Reno (you're gonna be a star) e para I'll take the rain.

* * * * * * * * *

Os manos do verbeat (que até hoje eu não sei se se pronuncia literalmente, como se fosse latim, ou se é um troço meio "verbít", como quer Alexandre InagakiSan) estão trabalhando num novo templeite e num novo endereço para É Por Aqui Que Vai Pra Lá?. Aguarde novas.

* * * * * * * * *

A reeleição de Bush me dá um consolo: novos filmes do Michael Moore vêm por aí.

12:16

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Sexta-feira, Outubro 29, 2004
Troféu poste da semana
O prestigiado e já tradicional Troféu Poste da Semana, concedido pelo Comitê Gestor da É por Aqui Que Vai Pra Lá? Inc., criado agora mesmo, escolheu esta semana dois excelentes postes dos mestres da blogosfera empatados, cada um com 259 votos. Confiram:

From Nelson Morais, que era da praia e agora é Almirante:

Ensaios Almirânticos

OS MACACOS DO MUSEU BRITÂNICO

Aquela conhecida tese proposta por Rutheford, para ilustrar a gratuidade na combinação das idéias que compõem as grandes obras (milhares de macacos, no saguão do Museu Britânico, datilografando ao acaso, acabariam por compor ao longo do tempo a obra completa de Shakespeare), ganha neste blog uma rica exemplificação, com o detalhamento do conteúdo de alguns trabalhos que brotariam desta instigante metáfora simiesca. Sente-se no primeiro galho e aprecie, leitor.

Teríamos, portanto, a peça "MacacBeth", onde o protagonista, ao ficar com a macaca (no caso, Lady MacacBeth), elimina brutalmente quem se puser em seu caminho rumo ao trono da Escócia. Outro destaque seria "Muito Barulho por Bananada", onde, farto de descascar a banana sozinho, Benedict ousadamente convida sua desafeta Beatrice a provar do longilíneo fruto. Teríamos também "A Megera Domesticada", onde Katharina, uma histérica macaca de auditório, é estudada pelo antropólogo Desmond Morris, que acaba se apaixonando e tempos depois publica a erótica obra memorialista "A Macaca Nua". Não podemos nos esquecer também de "Macaco Antônio e Cleópatra" e "Mico Andrônico", entre outras.

Mas não apenas o teatro shakespeariano seria reproduzido pelo staff de símios datilógrafos. A lei das probabilidades mostra que dali poderiam sair também clássicos da literatura ("A Montanha Mágica dos Gorilas", narrando a estadia da primatologista tuberculosa Diane Fossey num jardim zoológico suíço) e roteiros de sucessos do cinema ( "O Último Orangotango em Paris", onde um velho macaco em crise existencial empurra na jovem Maria Schneider uma média de pau com manteiga) e mais, muito mais. São, como o leitor pode ver, exemplos em penca.

Ah, certo. Não procede a insinuação de que o conteúdo deste blog poderia ser reproduzido na experiência do museu britânico. Na verdade ele é já é originariamente redigido lá.

From Tiagón Casagrande, Lorde do Bereteando:


Resposta #322
(Porque fiquei com vontade de escrever depois que li o conto do Milton)

Sobem na moto e voam baixo pela estrada. Vêem pessoas, depois indústrias, depois só mato, então pequenas casas, logo depois fazendas. Passam por um posto de gasolina abandonado. Surge um homem com seus três bois, a lavadeira de bacia na cabeça. Aceleram ainda mais e não vêem mais nada, apenas borrões que passam pelos olhos, incontroláveis manchas cheias de humanidade, ou o espaço vazio que ganha desenhos irreais e sombras falsas. A reta da estrada acaba, começam as curvas e como um trem sobre trilhos deslizam sobre uma onda sinuosa imaginária, levando em seu rastro as folhas caídas das árvores que já estão no passado, levantando torvelinhos de poeira, criando micro-furacões de areia e pequenos insetos. Finalmente desenha-se a lagoa as suas frentes. E não desviam, seguem em direção à água. Manopla girada até o seu final, máxima velocidade atingida e prendendo a respiração guiam por cima do leito aquático, deixando um spray de água e vapor para trás, como a cauda de um golfinho ancestral. As nuvens no céu já não passam rápido por suas cabeças; encontram-se estáticas, emparelhadas que estão as velocidades do ar e do veículo, e assim oferecem-se para a contemplação perfeita de seus desenhos: garotas deitadas e senhores de guarda-chuva, prédios suaves e aves míticas, canetas e pães e xícaras de café ¿ o magnífico presente aleatório do caos, que desfia-se pouco a pouco, imperceptivelmente. No centro da lagoa, uma onda impossível levanta-se imponente, monstruoso arranha-céus instantâneo como barreira à continuidade daquele caminho, então abaixam suas cabeças para melhor aerodinâmica e atravessam o tsunami, deixando um rasgo aberto no ventre da água, numa onda que não quebrou, mas desfez-se delicadamente em morte poética e tranqüila. Voltam breve ao solo, na outra margem do lago. E que não é terra e sim pântano movediço de vida silvestre. Vencem corridas contra felinos potentes. Cores de flores e pássaros tropicais geram arco-íris em suas retinas, a trilha sulcada pelos pneus apagando-se no terreno lodoso ¿ uma viagem sem testemunhas, sem rastros, sem migalhas de pão para mostrar o caminho de volta. Alcançam uma pradaria rapidamente atravessada, percebem a maciez dar lugar à rocha, vales e montanhas desenham-se num horizonte nevado e inóspito. A velocidade decresce por causa da subida, mas ainda assim são rápidos o suficiente para escalar até mesmo íngremes paredões escarpados. Alguns bodes balem inquietos com os intrusos. Tulipas voadoras abrem nesgas de céu em meio as nuvens. A neve dá lugar à rocha quente e os pneus seguem sua sina em direção a cratera do vulcão. Há a fumaça e o calor e uma trilha na lava endurecida, o caminho da anti-matéria. Um infinito incadescente aguarda pelos corpos, que não tardam a tombar. Alçando o vôo em que se perde todos os medos. Vapor desprende a carne como se fosse o suor da pele, e os ossos desmancham-se antes de tocar o magma.

E foram felizes para sempre.


12:07

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Quinta-feira, Outubro 28, 2004
VIDA


09:28

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Quarta-feira, Outubro 27, 2004
Classe média - uma tragédia num ato só
Da série postes autobiográficos



Meu pai experimentou uma ascensão meteórica no seu padrão de vida durante o milagre brasileiro. Começo dos anos 80 e tudo andava bem. Carro do ano. Uma viagem aqui outra acolá. Construiu uma casa num bairro afastado do centro de São Paulo. Era um bairro que prometia muito, no Banco Imobiliário só perdia para o Morumbi. E o melhor, ficava pertinho do trabalho dele.

Com uma hora de almoço dava pra ir em casa, comer, pegar os dois rebentos mais velhos, levar na escola e depois pegá-los à tarde também. Não tenho informações precisas se naquela época ele tinha noção de que era feliz. Mas com o tempo o caminho trabalho-casa-escola-trabalho começou a ficar entulhado de semáforos. O trânsito também piorou, e aí ele não conseguia mais dar conta de tudo. A gurizada começou a ter que ir pra escola de ônibus, o que foi pra mim não sei se fonte de traumas ou de inspiração, já que boa parte dos contícolos que escrevi se passam em ônibus.

Um belo dia, o amplo terreno que havia na frente de nossa casa e onde eu exercitava guerras de mamona e outros passatempos igualmente saudáveis amanheceu tomado de barracos. Yes, uma favela tomou conta do pedaço. Meu pai buscou a prefeitura, mas percebeu que a coisa não ia dar em nada. O jeito foi vender a casa a preço de banana, dizer bai bai pro ipê amarelo que tínhamos no jardim e aboletar-nos em outro canto.

Meu pai juntou uns trocos e comprou uma casa num bairro mais central. A casa era muito boa, mas o ponto não tanto. Atrás de nós uma fábrica de vidro abandonada para onde a janela do meu quarto apontava e de onde eu ouvia barulhos e sentia cheiros muito do esquisitos.

Um dia o vizinho viu um sujeito pular o muro da fábrica pra nossa casa e começar a forçar a janela. Nós não estávamos, ele deu um grito e o pelintra sumiu. Mais ou menos na mesma época minha avó paterna foi assassinada por ladrões dentro de casa. Pânico. Botamos a casa à venda e demos entrada num apartamento ótimo.

A casa só foi vendida dois anos depois. O japonês chegou e pagou à vista. Que beleza, o dinheiro dava pra fazer a casa que meu pai queria fazer em Itapecerica da Serra. O terreno já tinha. Dois meses depois ele ouviu ressabiado o senhor presidente falando em cadeia nacional que havia instituído um certo Plano Cruzado. Brasileiros e Brasileiras tinham razão em estar ressabiados, o dinheiro sumiu. A inflação disparou. A prestação do apartamento que consumia até então 20% do ordenado do velho chegou a comer 90%. O dinheiro da casa vendida foi pro espaço e a gente se viu tendo que alugar uma casa menorzinha.

Meu pai era o tipo de cara que tinha horror a ser inadimplente do que quer que seja, então chegou lá na financeira do apartamento e devolveu o imóvel. Perdeu tudo, em suma. Quem simplesmente deixou de pagar beneficiou-se de anistias e fez acordos mais pra frente.

A casa de Itapecerica da Serra só pôde começar a ser habitada há coisa de uns quatro anos e ainda não está pronta. Até lá, a família teve que se contentar em ocupar uma casa muito simples no mítico Capão Redondo. O velho, cansado, não pode se dar ao luxo de deixar de trabalhar, com a aposentadoria que ganha.

Well, esta é uma obra incompleta. A tragédia tem tudo pra continuar.
10:27

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Sexta-feira, Outubro 22, 2004
Segundo Millor Fernandes, um homem de barriga cheia é capaz de tudo. Até mesmo de ouvir. E eu acrescento: um homem de barriga cheia é capaz até mesmo de blogar, inda que enchedoradelingüiçamente.

* * * * *

Fui num lugar chamado NYC NYC, aqui na Berrini (São Paulo-SP-Brazil-South America). Tem o sanduíche mais caro do mundo, mas é também o melhor. Pão feito na hora num forno especial, molhos cheios de onda tipo "pesto genovês", "abacate com espinafre" ou "de shitake", acompanhamentos igualmente cheios de onda como shimeji, mussarela de búfala (também feita por eles), outros queijos afrescalhados, legumes grelhados e aspargos, sem falar no cadáveres, que não me interessam. Enfin, uma belíssima experiência gastronômica.

* * * * *

Persela is back. Angry and roaring.

* * * * *

O futebol é uma caixinha de não surpresas. Não importa pra quem você torça, seu time sempre vai perder títulos, muito mais que ganhar.

* * * * *

Considerações Millorfernandianas, bem a propósito, considerando a proximidade das eleições aqui e acolá:

Vem aí o imposto do solo criado. Depois, naturalmente, teremos a taxa da água imaginária e do esgosto suposto. Tudo isso, é claro, para que o Estado Ideal possa pagar a limpeza urbana fictícia, a segurança inexistente, o transporte ilusório e a educação quimérica. É por isso que eu digo: este é o país dos meus sonhos!

E, a propósito de algo sobre o qual eu escrevia há alguns dias:

Em todo o mundo, em todos os tempos, mesmo os cidadãos mais honestos não se sentem desonestos quando tentam fraudar taxas e impostos. Isso se deve à consideração mais ou menos internacional de que todos os governos são desonestos e... impostores.

15:07

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Quarta-feira, Outubro 20, 2004
Teoria da conspiração

Eu não tenho mais dúvidas. Relutei muito antes de abordar este assunto aqui, mas os últimos acontecimentos me compeliram a tornar público o óbvio que as grandes massas insistem em ignorar. Chega! A estrepitosa popularidade de É Por Aqui Que Vai Pra Lá? dará ao fato a notoriedade de direito e abrirá os olhos da população. Sim, quebro meu silêncio dos últimos dias para dar esta advertência ao mundo.

* * * * *

É simples: autoridades constituídas (e mesmo os postulantes aos cargos eletivos), imprensa, igreja e, claro, compositores cariocas de funk estão mancomunados para distrair a atenção geral e criar um clima de paz e segurança, como se tudo estivesse como sempre esteve desde a criação. Fala-se de eleições municipais, de novelas que estreiam, de campeonatos de futebol, de assassinatos covardes cometidos há trinta anos, tudo com o fito único e exclusivo de desviar a atenção do que realmente importa: a revolta da natureza.

* * * * *

Foram milênios de subserviência ao gênero humano apenas interrompidas por ranca-rabos ocasionais (um dilúvio aqui, um terremoto de Lisboa ali, um tsunami mais lã adiante...), mas paciência tem limite. A natureza, vituperada e fustigada sem dó todo esse tempo, já orquestra sua vingança macabra.

Você assistiu a "O Dia Depois de Amanhã"? Nem eu, mas o que quero dizer que aquilo lá tem duas funções básicas: dar a idéia de que o caos é coisa de ficção e a idéia de que o caos é aquilo lá.

Ah, sim, quem viver verá.

* * * * *

Você pode estar se perguntando: quais os tais recentes acontecimentos que me constrangeram a essa atitude temerária? Bem, explico: há dois dias fui covardemente atacado por um abacate. Sim. Um abacate. Ele desprendeu-se do galho e, visando atingir minha preciosa caixa craniana, lançou-se no ar.

Não era um abacate qualquer, era um SENHOR abacate. Gordo, parrudo, do tipo que o Bernardo, meu cachorro, adora pegar quando cai no chão. Acontece que este errou a mira e foi dar no pára-brisa do meu carro. Um prejuízo enorme, sim, e um recado soturno também.

Cuidado, amigo, cuidado! Vejo pés de alface voando no pescoço de velhinhas incautas (o emprego do termo "incauto" é uma homenagem a Alexandre Inagaki. Não creio que meu encontro casual com ele outro dia haja sido coincidência...). vejo unhas de gato avançando casas adentro e sufocando bebezinhos, vejo pedras rolando nas estradas, relâmpagos cortando ao meio atores globais em pleno baile de 15 anos. Vejo horror, desgraça, chamas e unhas encravadas. Vejo isso tudo isso, e veria muito mais, caso minha mulher me deixasse continuar vendo aqueles filmes que passam na Bandeirantes de vez em quando.

Abra o olho. Incauto!


13:42

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Sexta-feira, Outubro 08, 2004
Postício de férias

Esta semana, férias. Nada de escritório, nada de computador, nada nem de gilete de barbear.

Fui respirar fundo ali no interior, cidade serrana, hotelzinho muito do simpático. Meu filho adorou. Conheceu bichos que só conhecia de nome. Chegou perto do bezerrinho e deixou o dito lamber sua mão, como sempre o Bernardo (o cachorro) faz, mas quando o filhote de vaca começou a embocar a mão toda do guri ele nos olhou com aquela cara de: "ei, isso é normal?" Fizemos cara de que a resposta era sim, para não assustar, mas agimos como se a resposta fosse não. Acho que o Eduardo vai precisar daquela mão ainda.

Comer amora no pé. Quanto tempo eu não experimentava isso? Por essas repare que a semana foi zen.

* * * * * * * * * * * *

No meio dum monte de gente vejo um japonês. Mas não era um japa qualquer, aquele ali me chamou a atenção. Hum, sim, uma semelhança. Seria o japa que trabalhou comigo no Procon? Não, novo demais. Aproximo, vencendo a timidez.

Eu: Desculpa, teu nome é Alexandre?
Ele, desconfiado: Hã, como assim?
Eu: Alexandre Inagaki?
Ele: Eu mesmo.

Catzo. De fato, estava na frente do mestre dos blogs, a quem reconheci graças à minúscula foto do Orkut. Infelizmente não podia bater o papo que a ocasião mereceria, a fila precisava andar. Agora, contudo, exijo respeito de todos vocês, que não apertaram a mão do home.

* * * * * * * * * * * * * *

Aliás, estive no Detran, que é assim uma sucursal do inferno. Só pra fazer desvanecer todos os bons fluídos que trouxe lá da serra.

* * * * * * * * * * * * * *

Alguém mais tá de saco cheio de ouvir quem vai apoiar quem no segundo turno ou sou só eu? Alguém ainda acha que isso tem alguma importância? Algum malufista votaria nesse ou naquele porque o cacique vai subir no palanque e fazer sinal de jóia?

* * * * * * * * * * * * * * *

Recebi muita solidariedade quando manifestei a preocupação com o destino deste bloguitcho no future. Tiagón Casagrande, cooptado pelo grande Milton Ribeiro, foi rápido no gatilho e me ofereceu um lugarzinho no verbeat, que me pareceu uma ótima, especialmente pela companhia. Obrigado também ao B.M., que chegou um cabelinho atrasado.

* * * * * * * * * * * ** *

Tem inflação não. Mas o Toddy e o Nescau curiosamente mudam as fórmulas. Agora vc precisa botar um pote inteiro num copo de leite pra dar o mesmo efeito que uma colher antes fazia. O papel higiênico de repente aparece na prateleira com 10 metros a menos no rolo, coincidentemente em todas as marcas. O preço não aumenta, mas a sanha "dos acionistas" é satisfeita. Pena que eu perdi o telefone da Liga da Justiça.

* * * * * * * * * * * * * *

Feriado. Passei na casa dum mano e peguei 98 DVDs emprestados, pra tirar o atraso. Desejem-me sorte


16:03

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Quinta-feira, Setembro 30, 2004
Eu entrei no Blogger pra postar um novo capítulo de Persela, a vesga, que fez estrepitoso sucesso por aqui e que agora, acrescida de capítulos fresquinhos, anda lá pelo esvaziado Ernestinho.

Enquanto eu digitava, a voz de Helio Serafino, vindo do além blogosfera (ele foi abduzido dela há alguns meses, para grande desgosto generalizado), ecoava em meus ouvidos: "faça um backup dos postes, faça um backup dos postes".

Entrei, então, no Gerenciador de Arquivos e constatei que Ernestinho está ocupando mais de 6 dos 10 MB a que o Blogger me permite usar. Este É por aqui que vai pra lá?, a despeito de ser mais antigo e ter muito mais postes, por ter menos imagens ocupa apenas quase 5 MB.

A decisão ainda fica diferida para o futuro, mas já inquieta: para onde ir quando o espaço acabar?

* * * * * * * * * * * * *

Quanto a Ernestinho tudo bem. Nascido para ser um blogue coletivo, acabou me deixando sozinho, e o baixo nível de visitação acusa uma morte breve. Talvez logo após o último capítulo de Persela, a Vesga. Os outros folhetins, Maria de Auschwitz e Em busca da Cuia Sagrada, provavelmente serão cortados por falta de verba antes dos capítulos finais.

Mas na tentativa de fazer o backup (tentativa porque não consegui gravar o arquivo em word, que me custou uma tendinite brabíssima) revisitei os ótimos tempos de Ernestinho, em que me revezava com o supramencionado Helio Serafino e Alê Spissoto na confecção de asneiras saudosas.

Pena que essas iniciativas coletivas que não dão retorno algum têm vida curta.

* * * * * * * * * * * * * ** * * *

Ontem levei a patroa para ver Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças antes que saia do cartaz. Vê-lo outra vez foi uma experiência tão boa quanto na primeira, com a vantagem de conduzir minha atenção aos detalhes que então passaram despercebidos.

* * * * * * * * * * * * * * *** * * *

E anteontem o meu time, que parecia absolutamente incapaz de fazer gols, fez 7. Foi pensando nisso que cunhei uma frase que, sinto, vai pegar: o futebol é uma caixinha de surpresas. O que achou da frase?
11:35

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Quarta-feira, Setembro 29, 2004
Hoje só tem Millor

1. É evidente que o Universo foi feito por acaso - como a represa de Assuã, a Crítica da Razão Pura e a Capela Sistina.

2. Morrer, por exemplo, é uma coisa que se deve deixar sempre pra depois.

3. Você não pode aumentar sua estatura. Mas pode mandar rebaixar o teto.

4. É fácil a gente se conformar com o que tem. Difícil é se conformar com o que não tem.

5. Só existe um amigo verdadeiramente sincero - o amigo do alheio.

6. Em política, o que te dizem nunca é tão importante quanto o que você ouve sem querer.

7. A essa altura eu já sei tanto de tolos e conheço tão bem a idiotice humana que já posso começar a escrever minha autobiografia.

8. Quem não tem boa aparência acha sempre que as aparências enganam.

9. A melhor maneira de você demonstrar que é um homem de extraordinário bom senso é não acreditar nisso.

10. Este é o país onde há a maior possibilidade de se criar um mundo inteiramente novo. Caos não falta.
17:33

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Terça-feira, Setembro 28, 2004
Re-flequição

Há dez anos atrás eu contava com os mesmos 1,91m mas minha silhueta de pau de vira-tripa me causava problemas para comprar roupas.

A camisa número 3 até que dava na manga, mas ficava toda frouxa no pescoço. Calça então, uma desgraça. Eu vivia andando com a meia aparecendo, ou então com umas calças todas largonas na cintura.

Hoje em dia cabe tudo em cima. Uma beleza. Mas em verdade eu adoraria ter o corpo de antanho.

Moral da história: o manequim mediano das confecções leva em conta tipos adiposos e mais roliços do que deveria. Se você quiser ser um cara esbelto, sofra as conseqüências. E tá certíssimo. Mau gosto, não ter uns pneuzinhos...

* * * * * * * * * * * * * * * * * * *
Tarde da noite, no salão de Jack, Cabeça de Jabuti

O xerife Bill "Murros" Wilkinson emtra com uma camiseta meio apertada. No peito, estampada uma foto sua fazendo o "v" da vitória e os dizeres: "Xerife Bill 'Murros' Wilkinson para vereador - Tiro Certo na Corrupção - PX - 76.675.

Jimmy Mãos de Borboleta olhou sem parar de tocar "O Clementine, give my bottle back". Fazendo um muxoxo e mudando para "Battle Hymn of the Public Enemy", falou:

- Ei, xerife. Que tal votar em um candidato realmente comprometido com o povo desta cidade?
- Não gostei desse "realmente comprometido", Jimmy. De quem está falando?

Com um tapa rápido Jimmy Mãos de Borboleta fez cair na frente do piano um enorme banner com a foto dele, tocando piano, sob a efígie: "Jimmy Mãos de Borboleta. Ética, Responsabilidade e Seriedade. Não vote em quem você gostaria de ver tocando piano. Vote em quem toca piano. PPP, 78.956".

O xerife apertou os olhos. Nisso entrou pela porta-balcão Paco, o Cucaracha, jogando o sombrero de lado e levantando o poncho para que todos vissem sua camiseta. Dizia:

"Agora vai ou racha. Para vereador, Paco Cucaracha. PC, 67.987". Abaixou o poncho rindo quando notou que os companheiros também estavam em campanha. Fechou a cara, então, e foi assentar-se ao balcão, pedindo um rabo de galo e passando a afiar um cutelo enorme.

Foi a vez de Juanitos Manos Leves adentrar o recinto tocando num realejo um jingle de campanha que dizia:

"Juanito, Juanito
Él es el hombre
A acabar con la hambre
Juanito Juanito
Para vereador
vuete con amor
No en los boludos
Sino en el buenito
Juanito!


O clima no Saloon ficou tenso. Jimmy Mãos de Borboleta começou a tocar "Fire on Babylon", o xerife passou a limpar a arma e Paco, o Cucaracha, impôs ainda mais força no afiar seu ancinho.

Foi então que Rosa, a Rumorosa invadiu o recinto ajeitando os peitos no espartilho e distribuindo santinhos com sua foto em trajes sumários e ar sensual. Seu slogan era: "Vote em Rosa, a Rumorosa e ajude o mundo a ser mais Rosa".

Evidentemente, Rosa reprensetou o Saloon na Câmara nos 4 anos seguintes.
14:12

Ok, eu permito que você escreva alguma coisa


Sexta-feira, Setembro 24, 2004
Dica quente: http://www2.uol.com.br/marcelotas/tasnazonaeleitoral/fotos/fotos_todos.htm

O Marcelo Tas publica as melhores propagandas políticas do mundo. Corra lá right now.
13:35

Ok, eu permito que você escreva alguma coisa



Nos comentários ao poste anterior, muitas valiosas sugestões de duelos inusitados que o cinema bem faria em filmar:

Lula aparece duelando primeiramente com Kasparov e em seguida com Po(l)vo (Tiagón e Tiaguin)

Paçoca sugere primeiramente Eric Marmo X Ricardo Machi, o ator de um papel só, depois Feijoada X Dobradinha, um duelo light

Clodovil X Lacraia, um duelo cheio de puxão de cabelo e arranhão (b.m.)

Os personagens de Tim Robins em Um sonho de Liberdade X de Adrien Brody em O pianista. Confesso que não entendi a conexão, Day, mas ela sugeriu também um duelo imperdível: Cachorro quente X Calça Branca. Disse que esse ela já presenciou. Aliás, vivenciou.

Paula Padrão X Maga Patalógica (Lux, repassando)

Pica Pau X Robô do Mágico de Oz. Acho que a Karen tá falando do homem de lata e o que o Pica Pau vai fazer contra ele é um mistério

Marcelinho Carioca X Rodriguinho dOs Travessos. Pra usar um termo do carioquês, embate cheio de marra (Pedro)

Renton(Trainspotting) X Rob Flemming (Alta Fidelidade). Como não vi Trainspotting perdi o fio dessa sugestão da Anny Brima Shoegazer

Mas duelo mesmo seria ver Gandhi X Dalai Lama. E tenho dito.
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Tem mais um capítulo endoidecedor de Persela, a Vesga, em Ernestinho. Estes últimos capítulos são absolutamente inéditos, ou Pela Primeira Vez na Blogosfera, como queira. Na verdade, Persela, a Vesga lá em Ernestinho é um tipo de directors cut, uma versão com cenas que foram cortadas pela ditadura na primeira vez que a blog novela foi exibida aqui em É por aqui que vai pra lá. Pra quem não sabe, a despeito de escrita em 2003, Persela, a Vesga, sofreu dura censura pelo seu conteúdo libertário e extremamente politizado.
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Tenho tascado uma penca de frases geniais do Millor Fernandes que achei em "A Bíblia do Caos", editada pela L&PM, mas quem sabe citar o homem com classe mesmo é a Luna. Confira o poste do dia 21 último.
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Pra não perder o costume, vai mais um aí:
De repente, viu-se cheio de dinheiro. A empresa, por engano, em vez do ordenado, lhe pagou os descontos.
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Não sei se já pode ser tornado público or not, mas está no ar o Blog de Papel. Uma iniciativa corajosa e intrépida do Nelson Natalino. Meu poste lá dá bem uma idéia da minha sensação por ter sido convidado a fazer parte.



09:50

Ok, eu permito que você escreva alguma coisa

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